Há histórias que começam com um plano. Outras começam com uma necessidade.
A história do RioAiki nasceu, há cinco anos, em um momento de incertezas, mas também de uma certeza compartilhada: algumas pessoas acreditavam que era possível viver o Aikido de uma maneira mais aberta, sincera e colaborativa.
Eram inicialmente seis praticantes, unidos não apenas pelo treino, mas por uma visão comum sobre a forma como gostariam de caminhar. Para Marcos Alvaredo Sensei, um dos principais protagonistas daquele movimento, havia sobretudo o desejo de construir um ambiente no qual o Aikido pudesse ser praticado com dedicação, respeito e liberdade para aprender, conviver e compartilhar.
A decisão de seguir um novo caminho veio antes mesmo de haver um nome.
Depois veio uma escolha fundamental: encontrar uma orientação que estivesse em sintonia com esses valores. O grupo aproximou-se de Leonardo Sodré Sensei e, com ele, da Associação Pesquisa de Aikido — APA. Mais do que uma referência técnica, encontrou ali acolhimento, abertura e a possibilidade de estabelecer novas relações.
O nome surgiu quase naturalmente.
Se o Aiki havia reunido pessoas do Rio de Janeiro para praticar Aikido, por que não RioAiki?
Um grupo que escolheu se abrir
Talvez uma das características mais marcantes desses primeiros cinco anos tenha sido justamente a escolha de não se fechar.
Vieram as viagens, as visitas a outros dojos, os seminários, os exames, os encontros e os intercâmbios. Vieram também os quilômetros percorridos, os treinos cansativos, as conversas durante as viagens e algumas noites quase sem dormir.
As visitas ao Semeikan, dojo de Leonardo Sodré Sensei, tornaram-se parte importante dessa história. Em uma delas, tantos praticantes de Teresópolis viajaram juntos que a presença do grupo chamou a atenção de quem os recebia. Outras viagens levaram praticantes a diferentes encontros e experiências.
São lembranças aparentemente pequenas — uma viagem apertada, conversas durante a madrugada, o cansaço depois de horas de treino —, mas que ajudam a explicar como os vínculos foram sendo construídos.
Como lembra Marcos, aquelas experiências “firmaram raízes”.
O intercâmbio tornou-se, assim, parte da própria identidade do RioAiki. Não apenas receber professores, mas visitar outros espaços. Não apenas ensinar, mas estar disposto a aprender. Não apenas construir um grupo, mas criar pontes.
Receber também é praticar
Com o tempo, o RioAiki passou também a receber professores e praticantes de diferentes lugares.
E existe nisso uma ideia simples, mas importante: acolher também é uma forma de praticar Aikido.
Para Marcos Alvaredo, receber alguém significa fazer com que essa pessoa se sinta bem, acolhida e parte de algo maior. Por isso, a presença de um professor convidado nunca se resume à oportunidade de aprender com sua experiência técnica. Há também a possibilidade do encontro humano.
Talvez uma das melhores medidas desse vínculo seja quando alguém deixa de dizer apenas “quero voltar para treinar” e passa a dizer: “quero estar com vocês; vocês são meus amigos.”
É nesse ponto que seminários deixam de ser somente eventos e passam a construir comunidade.
O que acontece fora do tatame também importa
Ao longo desses cinco anos, essa comunidade cresceu para além daqueles que vestem o keikogi.
Há pessoas que ajudam a organizar os espaços, preparar as refeições, registrar os encontros, fazer churrasco, carregar coisas, resolver problemas e cuidar de inúmeros detalhes que quase nunca aparecem nas fotografias.
Entre elas estão Flávia, esposa de Marcos Alvaredo, e Eduardo, seu cunhado e antigo praticante de Aikido.
Desde os primeiros eventos, Flávia tornou-se uma presença constante na organização, trabalhando silenciosamente para que as coisas acontecessem. Eduardo somou-se depois, ajudando nas filmagens, na alimentação e em tantas outras tarefas.
Não fazem isso para aparecer.
Fazem porque gostam de estar ali.
Porque há também alegria em comer juntos, conversar, ajudar, rir e perceber que se está contribuindo para construir alguma coisa.
Talvez essa seja uma das definições mais simples de comunidade.
Liderança também pode significar escutar
Marcos Alvaredo Sensei ocupa um lugar especial nessa história.
Sendo o mais graduado entre aqueles que iniciaram o movimento, poderia ter conduzido o grupo simplesmente pela autoridade da graduação. Escolheu outro caminho.
Quem participou da construção do RioAiki nesses anos conheceu uma liderança que procura ouvir, colocar decisões em discussão e, algumas vezes, aceitar caminhos diferentes daqueles que escolheria pessoalmente quando entende que isso é melhor para o coletivo.
Há muito da personalidade de Marcos na identidade que o RioAiki adquiriu ao longo desses cinco anos: no desejo de agregar, na abertura ao intercâmbio, na preocupação com quem está chegando e na ideia de que um professor deve criar para seus alunos oportunidades que talvez ele próprio não tenha encontrado no início de sua trajetória.
Em uma de suas reflexões sobre esses anos, Marcos resume essa visão de forma muito simples: treino sincero e dedicação. O restante deve ser consequência.
Talvez seja também uma maneira de compreender sua dedicação ao RioAiki. Depois de uma vida profissional construída e já em uma fase em que tantas outras prioridades poderiam ocupar seu tempo, continua colocando energia no grupo simplesmente porque acredita nele.
Por isso, ao celebrar cinco anos de RioAiki, é justo reconhecer o trabalho de Marcos, de Flávia e de Eduardo — assim como de tantas outras pessoas que, visíveis ou não, ajudaram a transformar uma ideia em comunidade.
De seis pessoas a uma comunidade
Aquelas seis pessoas do início não permaneceram seis.
O movimento reuniu inicialmente cerca de quarenta praticantes e continuou crescendo.
Cinco anos depois, o RioAiki reúne 10 instrutores, 10 dojos e mais de 70 alunos. Nesse período, foram realizados 14 seminários, além de encontros, viagens, intercâmbios e inúmeras oportunidades de convivência.
Os números ajudam a contar a história, mas não são a história.
O mais importante talvez esteja na rede construída entre pessoas que antes treinavam separadamente e que hoje visitam os dojos umas das outras, participam juntas de eventos, recebem professores e compartilham experiências.
Está nas amizades novas e também nas antigas amizades reencontradas.
Está nas pessoas que chegam agora e encontram uma estrutura já funcionando, sem necessariamente conhecer todos os quilômetros, conversas, divergências, decisões e horas de trabalho que foram necessários para construí-la.
Como brinca Marcos, quem chega hoje encontra a onda pronta para surfar.
E talvez essa seja uma das melhores heranças que uma geração pode deixar para a seguinte.
Cinco anos depois
Hoje, o reconhecimento do RioAiki já ultrapassa seus próprios dojos.
Professores e praticantes de fora observam a organização dos encontros, a dedicação das pessoas e a forma como o grupo recebe quem chega. Para aqueles que participaram desde o início, esse reconhecimento não é um objetivo em si, mas consequência do trabalho realizado.
O RioAiki nasceu quando um pequeno grupo decidiu que poderia construir algo diferente.
Cresceu quando esse grupo se abriu para outras pessoas.
Criou raízes quando começou a viajar, receber, compartilhar e aprender.
E tornou-se comunidade quando o “meu dojo” começou a conviver naturalmente com a ideia de “nosso Aikido”.
Cinco anos depois, talvez seja essa a história que mais vale celebrar.
Não a história de uma instituição que conseguiu permanecer.
Mas a de pessoas que escolheram permanecer juntas.
No tatame e fora dele.
Treinando, viajando, recebendo, ensinando, aprendendo — e colocando, cada uma à sua maneira, a mão na massa.
Porque, no fim, o RioAiki parece ter descoberto algo que o próprio Aikido ensina há muito tempo:
crescer não significa ocupar mais espaço.
Às vezes, significa aprender a compartilhá-lo.
Vamos celebrar juntos
Cinco anos depois daquele primeiro movimento, é hora de reunir novamente as pessoas que ajudaram a construir essa história — e também aquelas que chegaram ao longo do caminho.
De 20 a 22 de novembro de 2026, estaremos em Teresópolis para o Gashuku Comemorativo dos 5 anos do RioAiki.
Serão três dias de treino, encontros, exames de Kyu, convivência e celebração, com aulas conduzidas pelos professores do RioAiki e tempo para aquilo que sempre fez parte da nossa caminhada: estar juntos dentro e fora do tatame.
Mais do que comemorar uma data, queremos celebrar as amizades, os encontros e tudo aquilo que construímos nesses cinco anos.
As vagas são limitadas.
👉 Programação completa, hospedagem, valores e inscrições:
Formulário para inscrição
Esperamos vocês em Teresópolis para escrever conosco mais um capítulo dessa história.
